sábado, 14 de janeiro de 2012

Erros meus, má fortuna, amor ardente



Luis Vaz de Camões foi o primeiro poeta português. Inspirado por muitas fontes históricas e literárias, ele escreveu „Os Lusíadas” - uma epopeia sobre as navigações e conquistas dos portugueses e, além disso, escreveu também teatro e poesia.
„Erros meus, má fortuna, amor ardente” faz parte da sua magnífica lírica e é um soneto escrito em medida nova, com versos alexandrinos, composto de 2 quadras e 2 tercetos e tendo a rima cruzada.
O título representa uma enumeração de três substantivos comuns- errros, fortuna e amor, que designam elementos importantes da vida do eu lírico. Daí podemos identificar os temas deste soneto – o arrependimento e a melancolia do tempo passado, tal como a má fortuna e os erros feitos, que não podem ser mais corrigidos. O poeta usa substantivos como perdição, dor, iras, enganos, vinganças para evidenciar a intensidade do seu sofrimento.
O eu lírico queria encontrar um refúgio no amor, mas finalmente ele conseguiu só „breves enganos”. O destino se vinga dele pelos seus erros, e as suas „mal fundadas esperanças” são todas reduzidas a um sentimento de „grande dor” e decepção.
Camões consegue evidenciar os seus sentimentos através dumas figuras de estilo, como a enumeração (erros, fortuna, amor), a inversão que refleta a intensidade ("grande dor", "magoadas iras", "mal fundadas", "breves enganos", "duro Génio de vinganças"). Além de tudo isso, o epifonema hiperbolizado „ Este meu duro Génio de vinganças!” vem como uma conclusão, um desenlace de todos os erros e da má fortuna: a vingança do tempo e do destino.
Portanto, o soneto „Erros meus, ma fortuna, amor ardente” é uma meditação com respeito ao amor cego, associado com um destino imperdoável ( "a Fortuna castigasse"; "má fortuna") , com o tempo que passa demasiado rápido e com os erros que sempre são castigados. Neste soneto, Camões concebe o amor e o destino como umas monstruosas entidades geradoras de sofrimento e agonia, de „perdiçao”.

Sem comentários:

Enviar um comentário