quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ah! Fortuna cruel! Ah! Duros Fados! - Luis Vaz de Camões

A obra multifacetada de Camões abrange diversas correntes artísticas e ideológicas do século XVI, sendo elaborada sobre uma experiência pessoal multipla, que nenhum outro escritor contemporâneo realizou sozinho. Mas, é no soneto que o poeta atinge uma admirável e rara variedade.

Composto de duas quadras seguidas de dois tercetos , num total de 14 versos, o poema Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados! é um soneto. Nele, o poeta discorre sobre a saudade. Tão caracteristicamente portuguesa, isto é, o estado de alma que se traduz por aspiração, anseio, tristeza, isolamento, ausência. Neste poema, o eu lírico de Camões se sente abandonado e faz referência às tristes lembranças de bens passados Deixastes-me sentir os bens passados, na nostalgia da felicidade perdida.

Do ponto de vista da estrutura formal, Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados! é uma medida decassílabo nova, um soneto. Os versos possuem ritmo e cadência determinados pela esquema dos rimas interpoladas.

O título Ah! Fortuna cruel! Ah! duros Fados! represente também o primeiro verso da poema e, no mesmo tempo, é uma invocação da fortuna e dos fados.

Por accentuar a pena do seu eu, o poeta utiliza várias imagens – símbolos e palavras: dano, mor dor da dor, males dobrados, perda. Na felicidade é afastada agora, o poeta e sozinho com só seus cuidados: Passou o tempo que me descansastes/ agora descansei com meus cuidados. Só na cansada vida e um sentido de inércia ajudam o poeta de continuar existir: sem vos ja me não fica que perder/se não se for esta cansada vida.

O poema acaba num verso de pensamento elevado: que por mor perda minha não perdi. A saude é um tema comun aos escritores portuguêses mas o tom em que Camões os trata é pessoal, nele transparecendo a aliança entre a meditação e a experiência.


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